Na obra “Memória e Sociedade”, a psicóloga Ecléa Bosi defende, que a função social do velho é lembrar, ou seja, transmitir às novas gerações a experiência acumulada ao longo da vida. No entanto, no Brasil contemporâneo, essa função tem sido ignorada, já que o envelhecimento ainda é visto como sinônimo de inutilidade. Diante disso, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira esbarram em dois entraves: o etarismo enraizado na cultura e a falta de preparo do Estado para uma população cada vez mais longeva.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o preconceito contra os idosos está presente no cotidiano. Isso acontece porque a sociedade capitalista valoriza o indivíduo apenas enquanto ele produz, como denunciou a filósofa Simone de Beauvoir em “A Velhice”. Desse modo, piadas sobre a idade, a infantilização no atendimento e a exclusão do mercado de trabalho se tornam comuns, e os mais velhos passam a ser vistos como um peso. Nas redes sociais, por exemplo, todos os jovens tratam os idosos com desprezo, o que mostra que o problema é grave.
Além disso, o Estado não acompanha a mudança demográfica do país. Segundo o Censo de 2022 do IBGE, o Brasil já tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, mas existe poucos geriatras, centros de convivência e políticas de cuidado. A medida que a população envelhece, a pressão sobre o SUS e a Previdência aumenta, e muitas famílias, principalmente as mais pobres, assumem sozinhas o cuidado dos idosos, o que vai contra o artigo 230 da Constituição Federal, que divide esse dever entre família, sociedade e Estado.
Portanto, é necessário mudar a forma como o envelhecimento é visto no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve ampliar a formação de profissionais em geriatria, por meio de parcerias com universidades públicas, a fim de garantir um atendimento digno aos idosos. Além disso, a mídia deve combater o etarismo com campanhas. Assim, a função social do velho, defendida por Ecléa Bosi, será finalmente respeitada.
Na obra “Memória e Sociedade”, a psicóloga Ecléa Bosi defende, quedefende que a função social do velho é lembrar, ou seja, transmitir às novas gerações a experiência acumulada ao longo da vida. No entanto, no Brasil contemporâneo, essa função tem sido ignorada, já que o envelhecimento ainda é visto como sinônimo de inutilidade. Diante disso, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira esbarram em dois entraves: o etarismo enraizado na cultura e a falta de preparo do Estado para uma população cada vez mais longeva.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o preconceito contra os idosos está presente no cotidiano. Isso acontece porque a sociedade capitalista valoriza o indivíduo apenas enquanto ele produz, como denunciou a filósofa Simone de Beauvoir em “A Velhice”. Desse modo, piadas sobre a idade, a infantilização no atendimento e a exclusão do mercado de trabalho se tornam comuns, e os mais velhos passam a ser vistos como um peso. Nas redes sociais, por exemplo, todos os jovens tratam os idosos com desprezo, o que mostra que o problema é graveQuando um profissional experiente é preterido em uma seleção apenas pela idade, por exemplo, a sociedade desperdiça justamente a memória que Bosi considerava essencial e empurra o idoso para o isolamento.
Além dissoParalelamente, o Estado não acompanha a mudança demográfica do país. Segundo o Censo de 2022 do IBGE, o Brasil já tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, mas existeexistem poucos geriatras, centros de convivência e políticas de cuidado. A medida queÀ medida que a população envelhece, a pressão sobre o SUS e a Previdência aumenta, e muitas famílias, principalmente as mais pobres, assumem sozinhas o cuidado dos idosos, o que vai contra o artigo 230 da Constituição Federal, que divide esse dever entre família, sociedade e Estado.
Portanto, é necessário mudar a forma como o envelhecimento é visto no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve ampliar a formação de profissionais em geriatria, por meio de parcerias com universidades públicas que ofereçam residências e bolsas nas regiões com menos geriatras, a fim de garantir um atendimento digno aos idosos. Além disso, a mídia deve combater o etarismo com campanhaso Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com emissoras e plataformas digitais, deve promover campanhas que mostrem idosos ativos e produtivos, para desconstruir o estereótipo da inutilidade. Assim, a função social do velho, defendida por Ecléa Bosi, será finalmente respeitada.